Exposição de fotografia digital: “Simone, a mulher” – Simone de Oliveira por André Mariano

Inauguração da Exposição “Simone, a mulher”

Exposição de fotografia digital – Simone de Oliveira por André Mariano

 

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MATHIEU SODORE

 

 

FERNANDO PESSOA – PEQUENAS VIAGENS INTERIORES

 

– A exposição apresenta um conjunto de obras tendo Fernando Pessoa como denominador comun. Parte destas obras foram apresentadas na Casa Fernando Pessoa, entre Outubro e Dezembro de 2002. Nessa ocasião Richard Zenith, estudioso e tradutor de Fernando Pessoa, escreveu para o catálogo: “As caixas temáticas de Mathieu Sodore podem ser vistas como interlúdio ficcional , um momento animado que imita a vida. Nelas encontramos o retrato cliché de Pessoa rodeado da Lisboa do seu tempo mas acompanhado, também, pelas criações literárias em que sublimou, ou transferiu, a sua realidade humana. As técnicas são “collage” e “assemblage”, pois estamos no reino da fragmentação, a via encontrada por Pessoa para sobreviver no mundo de todos nós. Cada caixa, por ser uma caixa e por ter um tamanho padrão, reafirma a unidade sugerida pelo título-tema,”Orpheu” ou “Ricardo Reis” ou “Aexander Search” ou “Desassossego”, mas o conteúdo da caixa é cortado em pedaços, para nos lembrar que toda e qualquer unidade é falsa, que “a Natureza é partes sem um todo” (Caeiro).[…] Mathieu Sodore quis mesmo afastar-se do cliché para melhor o interrogar.”

 

O título-Pequenas viagens interiores- remete para as palavras de Pessoa “Sendo assim, não evoluo. Viajo.”(1) que Robert Bréchon aproxima das viagens imóveis de Henri Michaux quando este ultimo afirma “Escrevo para me percorrer[…] Essa é a aventura de estar vivo”(2).

 

Cada obra afirma a vontade do pintor de propor um olhar singular sobre um poeta plural.

 

 

 

  1. Carta de Fernando Pessoa a Casais Monteiro, datada de 20 de janeiro de 1935.

  2. Robert Bréchon, Etrange étranger. Une biographie de Fernando Pessoa.

    Paris: Christian Bourgois Editeur, 1996, p.206.

 

 

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Manuel Luís Cochofel

Binary Bodies – After Muybridge

“São silhuetas de pontos coloridos, são pontos de uma historia.  Uma historia de amor, de saudade, de mulheres energéticas de cintas estreitas pelos espartilhos; um universo onde as personagens vivem suspensas entre o doce e o acre do pontilhado. Manuel Luís Cochofel vinca as teorias da Era da Reprodutibilidade Técnica, como Walter Benjamim, no ensaio A Obra de Arte na Era da Sua Reprodutibilidade Técnica (1936), tinha referido como sendo as novas potencialidades artísticas – as reproduções.

Acabou de facto, há muito, a ideia do sentido único, da unicidade que acarretava o distanciamento e que afastava o observador de qualquer objecto artístico, assim como o sentido elitista a que a teoria da imagem se predispunha. Acabou há já muito tempo a necessidade de sabermos o que é de facto nosso ou aquilo que porventura sempre pareceu ser nosso, pois, quer no sentido da construção quer pela sua reprodutibilidade, as imagens constroem-se constante e autenticamente. E como o que é autentico é a realidade vivida, as imagens são para o indivíduo novas realidades, autênticas. É a pergunta; “isto é de quem?”, que torna a estética fora de qualquer circuito egoistamente de um só autor.

Somos a favor de uma identidade própria, mas, propriamente bem reconstruída. Leia-se reconstruída.

É a fuga ao totalitarismo de qualquer movimento ético/estético que contraria as leis enraizadas, leis de terra.

Uma questão política? Evidentemente uma questão política e de dimensões democráticas ao usufruto e ao abandono do sentido da unicidade. Manuel Luís Cochofel guia-nos por um caminho, seu escolhido, como sendo uma alternativa à democratização estética. Porém, ao contrário desta defesa do mero reprodutível, o artista enfrenta o conceito da reprodução exacta e manipula os originais. As imagens, outrora de outros e dos próprios figurados, roubadas e posteriormente picadas pelo autor são repartidas, fragmentadas, ampliadas bruscamente até que pela sua trama haja a possibilidade de nelas  entrar. Por si embrulhadas delicadamente, são imagens novas nascidas de velhas e usadas fotografias que foi acarinhando durante os seus passeios virtuais. Manuel Luís Cochofel adoptou-as, tornou-as suas e fez delas um elástico bem aberto.  São agora imagens que, apesar de sugerirem uma trama fragilizada, pela sua provocada amplitude, não tendem a  romper nem tão pouco a afastar-se do seu ente origem ou do seu corpo primeiro.

Neste mundo, de Cochofel, as figurações não são lambidas,  nem polidas, nem maquilhadas por qualquer pó de arroz.  As fotografias são cruas e agrestes como as pedras cristalizadas e pouco gastas de caminhos novos. Cochofel picou, à sua imagem, as imagens de Eadweard Muybridge, velhas e polidas pelo tempo como quem debica compulsivamente as pedras da calçada para que nelas não escorregue.

     São silhuetas de pontos coloridos, são pontos e metáforas de caminhos seguros a uma realidade estética.”

in Umbigo Magazine

 

«Uma das características que mais me interessou explorar, é o isolar de cada um dos movimentos (que no trabalho de Muybridge aparece na sequência completa) tornando cada corpo no autor de um gesto que não compreendemos e temos dificuldade em imaginar como se seguirá, se terá continuação e nos deixa uma certa angústia e perplexidade que me interessa gerar. Como se houvesse uma cadência interrompida, que em música designa uma progressão harmónica que não resolve para um acorde perfeito e que nos liberte assim da tensão anteriormente gerada, mas antes nos deixa suspensos nessa mesma tensão». – Manuel Luís Cochofel

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